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terça-feira

Fernando Pessoa


Se depois de eu morrer
por Alberto Caeiro


Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

sábado

lindo...

"... quando explicamos a poesia ela torna-se banal. Melhor do que qualquer explicação é a experiência directa das emoções, que a poesia revela a uma alma predisposta a compreendê-la."

Il Postino (O carteiro de Pablo Neruda)

Estranhamente não existe edição deste filme em Portugal. Porque será? Gostava de rever o filme. Alguém o tem (gravado da TV)?

quarta-feira

águas límpidas

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive




Ricardo Reis


pensando bem...

"A virtude é como o segredo: oculto, conserva-se; manifesto, perde-se."
(S, IV, p.78. P. António Vieira)